Dislexia: diagnóstico e intervenção precoce

Autoria do texto: Lilian Kotujansky Forte

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A dislexia é uma coReadingndição de base neurológica, frequentemente hereditária, que resulta em transtornos nas habilidades de leitura, escrita, soletração e ortografia. A dislexia não é o resultado de rebaixamento intelectual, de alterações sensoriais, de pouca motivação para o aprendizado ou de problemas de escolarização. Estima-se que até 10% da população apresente dislexia.

Além das dificuldades de linguagem escrita, é comum o indivíduo com dislexia apresentar também dificuldades de linguagem oral, de concentração, de memória de curto prazo e de organização.

O estudo da dislexia, também chamada de dislexia de desenvolvimento, apresentou um grande avanço durante os últimos anos. As pesquisas mais recentes apresentam evidências de que o déficit central vivenciado pelos disléxicos está relacionado ao processamento fonológico (uma complexa hierarquia de funções relacionadas ao processamento de fonemas). Alguns pesquisadores também consideram que a dislexia faça parte do contínuo das desordens da linguagem. Neste sentido, em alguns casos, crianças com um déficit de linguagem oral podem ser mais suscetíveis a apresentarem problemas de linguagem escrita.

É comum que as dificuldades em leitura persistam até a idade adulta, embora exista uma grande variabilidade no grau em que os indivíduos apresentem suas inabilidades de leitura e de soletração.

Diagnóstico

Normalmente a dislexia é detectada em crianças em idade escolar que apresentam uma dificuldade inesperada na aprendizagem da leitura e da escrita.

Nas etapas iniciais da escolaridade, a dificuldade se apresenta especialmente na correspondência entre os sons da língua e sua representação gráfica. No entanto, com o decorrer do tempo, outros sintomas podem se tornar evidentes, enquanto que déficits anteriores acabaram sendo compensados pelo indivíduo.

Muitas crianças disléxicas passam vários anos escolares sem um diagnóstico adequado, perdendo um tempo precioso sem se beneficiarem de um acompanhamento específico.  Quanto mais precoce a detecção da dislexia, melhor o prognóstico, já que ela favorece ao disléxico ir construindo estratégias para lidar com a sua dificuldade.

Conforme explica a ABD (Associação Brasileira de Dislexia), o diagnóstico é feito por exclusão. São descartados fatores como déficit intelectual, lesões cerebrais e desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar. Devido à sua complexidade, a avaliação e o diagnóstico da dislexia são realizados por uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo e neurologista.

A avaliação vai determinar o nível funcional da leitura do paciente, a extensão de sua dificuldade e as suas potencialidades.

Intervenção

O fonoaudiólogo, por sua formação em desenvolvimento da linguagem oral e escrita e seus distúrbios, é o profissional mais qualificado para tratar o indivíduo com dislexia.

A definição das estratégias de intervenção depende de uma meticulosa avaliação do paciente, para que possa apontar os seus pontos fortes e os seus pontos fracos, os seus interesses e a sua personalidade.

O trabalho específico voltado para as dificuldades apresentadas pelo paciente pode envolver, por exemplo, o desenvolvimento das habilidades de: consciência fonológica, fluência na leitura, produção de textos, memória, planejamento e organização.

Além disso, é importante ensinar o disléxico a se monitorar e a gerir as suas próprias necessidades.

A família é um elemento chave e parceiro no trabalho com o indivíduo disléxico. É ela que tem condições de oferecer apoio constante, de reconhecer o potencial de seu filho ou filha e de encorajá-lo a se superar. O fonoaudiólogo está sempre em contato com a família do paciente, orientando sobre as abordagens mais adequadas a serem usadas dentro de casa.

A orientação ao professor do estudante com dislexia é fundamental, já que é ele quem está diariamente com o aluno. Além de oferecer ao professor estratégias que facilitem a aprendizagem do disléxico, é importante instruí-lo a ser positivo e construtivo, para que o aluno possa recuperar a sua autoconfiança e acompanhar melhor a classe.

Atenção: Os documentos eletrônicos aqui publicados são propriedade intelectual de Lilian Kotujansky Forte e de Cecília Schapiro Bursztyn ou de outros contribuintes individuais para o site. Você pode se referir às informações e citações dos artigos deste site, desde que inclua as referências e o link que permitam ao leitor de seu artigo localizar a obra original aqui.

imagem: http://etc.usf.edu/clipart/

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  1. Parabéns pela organização do material que contribue de forma significativa para o trabalho pedagógico.

  2. Obrigado pela partilha. Bem hajam pela iniciativa, constitui uma boa fonte de informação e um apoio para a comunidade.

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